segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ilha Grande + 40: Carta aberta às autoridades ambientais do Rio de Janeiro e de Angra dos Reis e à população em geral

No decorrer do aniversário de quarenta anos da criação do Parque Estadual da Ilha Grande representantes de dezessete entidades com intensa atuação na Ilha Grande manifestam sua preocupação com os problemas que envolvem a Implantação e Operação de uma das mais belas Unidades de Conservação do Rio de Janeiro. Fazem também um balanço dos extenuantes esforços despendidos em torno de seu conselho gestor na luta pela participação coletiva nas tomadas de decisão de interesse público, em um contexto político marcado pela inação de setores da área ambiental estadual.

Com base nas perguntas: Qual será a Ilha Grande que se quer para o futuro? Qual será o destino dos conselhos gestores do PEIG? assinalam a falta de uma firme decisão estratégica que busque produzir uma verdadeira e definitiva política de Estado voltada para o complexo de Unidades de Conservação fluminense. Lembrou com pesar que, com a posse do atual governador Sérgio Cabral em 2007, o seu secretário do Ambiente Carlos Minc, resgatou a proposta de 2002 e fez decretar, ao final do primeiro mês de governo, a ampliação do parque, duplicando a sua área. Esta decisão estratégica, que abria caminho para um feito ainda não realizado no Rio de Janeiro: a efetiva Implantação e Operação de uma Unidade de Conservação foi perdido.

Insistem os representantes: “Tendo em vista o acima exposto, sugerimos como sociedade civil o imediato desenvolvimento de um Plano Estratégico para o Parque Estadual da Ilha Grande, independente dos projetos que já se encontram em curso. Será mandatório considerar, dentre outros, os reflexos locais dos mega investimentos que serão feitos na área do pré-sal, bem em frente ao litoral de Angra dos Reis e dos grandes eventos desportivos que acontecerão nos próximos anos. Propomos uma profunda revisão e ordenamento racional dos projetos em curso, organizados cronologicamente e por prioridade, a fim de evitar desperdício de recursos públicos, mas principalmente para fazê-los coerentes com as estratégias que serão estabelecidas no Planejamento Estratégico sugerido”.

As entidades que se fizeram representar são, em ordem alfabética:

Associação Curupira de Guias e Condutores de Visitantes da Ilha Grande

Associação de Moradores e Amigos da Ilha Grande

Associação de Moradores e Amigos da Praia do Aventureiro

Associação de Moradores Tradicionais e Amigos da Parnaioca

Associação de Pousadas da Enseada do Bananal

Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande

Comitê de Defesa da Ilha Grande

Instituto Bio Atlântico

Instituto Ondular

Instituto Socioambiental da Baía da Ilha Grande

Jornal O Eco – Palma Editora

Liga Cultural Afro-brasileira

Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro

Sociedade Angrense de Proteção Ecológica

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Universidade Federal Fluminense

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

A carta completa pode ser acessada na biblioteca eletrônica do CODIG

domingo, 10 de julho de 2011

Uma das mais antigas associadas do CODIG ganha bolsa de estudos na Alemanha para estudar a Ilha Grande e Fernando de Noronha

A professora Carolina Dutra de Araújo, mestre em Ciências Ambientais e Florestais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), foi aprovada para a bolsa de doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na ALEMANHA.

Em mensagem enviada ao CODIG, a professora declara: “Já adianto que o trabalho de campo será feito na Ilha Grande e Fernando de Noronha e faz parte de um grande projeto do meu orientador alemão sobre elaboração de políticas públicas e planejamento de base comunitária. Assim, acho que voltarei com uma grande bagagem para discutirmos questões relacionadas à ilha”.

Um pouco antes de saber de sua indicação, a professora Carolina Dutra tinha sido contemplada com uma bolsa de doutorado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) na Universidade Nacional de Córdoba (Argentina). Segue o link da notícia que saiu no Jornal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ): http://www.ufrrj.br/portal/modulo/home/noticia.php?noticia=2322

Uma de nossas melhores consultoras em turismo e capacidade de carga, a professora Carolina Dutra continuará a nos ajudar no acompanhamento dos serviços a serem contratados pelo INEA referentes ao Sistema de Ordenamento Turístico Sustentável da Ilha Grande.

Alguns dos trabalhos acadêmicos da professora Carolina Dutra podem ser acessado em nossa biblioteca eletrônica.

domingo, 26 de junho de 2011

Parque Estadual da Ilha Grande: a vida ainda não começou para quem já chegou aos 40

Amanhã faz 40 anos que o decreto nº 15.273 que criou o PEIG pretendia construir um futuro para a Ilha Grande via implantação de uma Zona de Apoio Turístico em seus limites, de olho na panaceia do turismo de grande porte.

Abandonado desde o berço à sorte, o espetacular PEIG nunca recebeu de fato uma atenção efetiva para se tornar um espaço natural público, salvo por uma janela de oportunidade que fechou-se após ter ficado escancarada por um pouco mais de um ano, período em que sua implantação foi tornada prioritária no primeiro governo Cabral. Foi-se a vantagem, mas pelo menos um golaço foi feito nessa ocasião: o parque teve sua área duplicada em 2007.

Porteira fechada, a área pública responsável pelo parque resolveu tirá-lo da lista de prioridades, o que indica perda de interesse pelo desafio de torná-lo real e de dar o esperado salto de qualidade e o exemplo ao país de como bem implantar e administrar parques públicos.

O CODIG se desaponta com mais uma tentativa frustrada de fazer do PEIG o maior e melhor resort público do estado, com todas as suas vantagens, sobretudo, as socioambientais. Torce para que haja vontade e capacitação dos agentes públicos para levarem ao parque as ferramentas necessárias para que ele comece a viver. De sua parte, o CODIG reafirma sua missão de lutar pelo PEIG, a qualquer tempo.

domingo, 19 de junho de 2011

Definidos os prazos para liberação da versão final do Plano de Manejo da APA Tamoios

Em reunião extraordinária do conselho gestor da APA Tamoios ocorrida em 09/06/2011 ficaram definidas as datas para a liberação da versão final do Plano de manejo da APA Tamoios. Estiveram presentes ao encontro o gerente de unidades de conservação de uso sustentável Luiz Dias e a responsável pelo diálogo social, Marcia Barroso, ambos do INEA/sede.

As datas são as seguintes:

8/7/2011: conclusão definitiva da Ilha Grande

8/8/2011: continente e demais ilhas

12/9/2011: fechamento do continente e demais ilhas, excepcionalmente, no caso de eventual dificuldade

O Plano de Manejo da APA Tamoios teve seu início em 2007 e vem apresentando problemas de conclusão. Como já postado no blog, foram inúmeras as cobranças feitas por entidades com representação no conselho.

A ata da reunião será postada tão logo aprovada e assinada pelos participantes da reunião.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A quem interessa a demora na liberação da versão final do Plano de Manejo da APA Tamoios?

O Plano de Manejo da APA Tamoios foi concluído há muito tempo no âmbito do seu Conselho Consultivo. Merece destaque o alto e inédito grau de participação dos conselheiros representantes da cidadania organizada nessa tarefa. Enfrentando uma nítida deficiência gerencial da área do INEA responsável pela condução do trabalho - que lhe imprimiu velocidade próxima do zero e ainda não lhe deu a prioridade requerida - e a apatia e o distanciamento de algumas entidades - públicas ou não - participantes do conselho, alguns dos seus membros "ralaram o lombo" por mais de quatro anos para fazer valer o melhor do "espírito participativo e democrático", cantado tão alto por alguns dos novos parceiros, entronizados no poder estadual em 2007.
A importância estratégica para o sul do estado que as regras do jogo (ambiental, social, econômico) redefinidas pelo Plano de Manejo da APA Tamoios parece não sensibilizar a muitos, um deles o governador Sérgio Cabral, que decidiu participar dos trabalhos e que, no meio da partida resolveu criar seu próprio Conselho e mostrar quem manda na casa. Nessa direção, em um contexto político onde o Poder Executivo se impõe a todos - Conselhos, Legislativo e até o Judicário - surgiu do nada o decreto nº 41.921 que liberou geral, escancarando a reserva de mercado, entregando o filé mignon de áreas bem preservadas da APA Tamoios para a especulação imobiliária. Ato contínuo, alguns conselheiros recorreram à justiça e agora aguardam o julgamento da inconstitucionalidade do inusitado ato do governador (ver ADIN 4370). Nesse ínterim, no longínquo 2009, a então secretária do ambiente, hoje presidindo o INEA, em gesto magnânimo, pareceu ignorar o sentido das leis e "decidiu" suspender os licenciamentos de construção nas áreas atingidas pelo saco governamental de maldades. Estamos nesse reme-reme até hoje.
Com o Plano de Manejo - e o zoneamento - da APA Tamoios com sua versão final terminada, caberia ao INEA fazê-lo valer e dar curso às suas regras, o quanto antes, em nome da dinâmica social. Mas não, somos obrigados a assistir a um surreal pique-esconde da área responsável do INEA pelas unidades de conservação estaduais que, pelos seus escalões inferiores, faz o conselho esquentar cadeira. Todos trabalham no que melhor sabem: tergiversar. Afinal, a quem interessa essa demora?
Foi protocolado na Secretaria Estadual do Ambiente documento com o teor a seguir apresentado, que será ainda dado a conhecer ao governador, a Procuradoria da República e a Promotoria de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Procedimento semelhante foi feito em 18/04/2011, ao qual infelizmente não foi dada a devida resposta.
Assinam o encaminhamento as seguintes entidades: Associação Curupira de Guias e Condutores de Visitantes da Ilha Grande, Associação de Meios de Hospedagem da Ilha Grande – AMHIG, Associação de Moradores da Vila Dois Rios – AMVDR, Associação de Moradores e Amigos do Quinto Distrito da Ilha Grande – AMAIG, Associação de Moradores Tradicionais e Amigos da Parnaioca – AMOTAP, Associação de Pousadas da Enseada do Bananal – APEB, Comitê de Defesa da Ilha Grande – CODIG, Instituto BioAtlântica – Ibio, Instituto Socioambiental da Baía da Ilha Grande - ISABI , Jornal O Eco, Liga Cultural Afro-brasileira – LCAB, Sociedade Angrense de Proteção Ecológica – SAPÊ

Rio de Janeiro, 01 de junho de 2011

Ao sr. secretário do Ambiente Carlos Minc

Assunto: Plano de Manejo da APA Tamoios

Prezado senhor,

Em nome dos diversos conselheiros da APA Tamoios, reiteramos solicitação de encontro feito a V.S. em 18/04/2011 para que pudéssemos expor a nossa fundada preocupação a respeito da injustificada demora na liberação da versão final do Plano de Manejo da APA Tamoios, há muito concluído no âmbito do seu Conselho Consultivo.

Além das preocupações apontadas na missiva mencionada acima (ver anexo), nosso temor aumenta pela descontinuidade do gerenciamento do assunto por parte da área responsável do INEA, o que pode levar o assunto para as calendas. Foram substituídos a chefe da APA Tamoios e o chefe da GEUSO, que vinham conduzindo os trabalhos desde 2007.

Senhor secretário, o Plano de Manejo da APA Tamoios foi concluído em meados do ano passado e o zoneamento da Ilha Grande em janeiro de 2010. É inaceitável que não tenha ainda sido disponibilizado, apesar da resposta pronta e objetiva do então chefe da GEUSO no dia seguinte à entrega do nosso pedido de encontro. Reproduzimos parte de seu conteúdo, com os nossos grifos:

“..........

Caros Conselheiros,

Em virtude de uma série de mensagens solicitando informações sobre o Plano de Manejo da APA Tamoios informo:

1) A última versão do plano entregue pela empresa contém alguns erros técnicos que estão sendo resolvidos;

2) Estes erros técnicos se referem a: a) ao shape (base de mapas) utilizado e que não bate com os shapes do INEA; b) ao memorial descritivo das zonas que está em formato não aceito pelo INEA; c) zoneamento da Ilha Grande está errado; e d) demais erros de texto.

3) Atualmente uma equipe do INEA (que não é a equipe que acompanhou o plano, pois se refere a dados de georreferenciamento) está acompanhando os trabalhos de correção dos erros de shape e memorial descritivo. O zoneamento da Ilha Grande vai ser corrigido para o zoneamento discutido e aprovado em Dois Rios. A geógrafa Lucia tem os dados originais e já estamos corrigindo esta parte. A equipe do INEA que acompanhou o plano analisou todo o documento escrito, apontando alguns erros que estão sendo corrigidos pela equipe contratada.

4) Após estas correções, a equipe do INEA que está acompanhando o plano irá novamente apresentar as correções e todo o plano revisado ao conselho para fechamento final. Desde o início dos trabalhos, a equipe do INEA sempre teve o cuidado de não aprovar nada que não fosse passado antes ao conselho. Assim, neste caso também não se furtará a esta responsabilidade.

5) A equipe do INEA que está acompanhando o plano desde o início também está aberta para quaisquer esclarecimentos.

....................................

A apresentação da versão final (ou distribuição conforme solicitado pelos conselheiros) somente poderá ser feita após estas correções, uma vez que a versão atual contém estes erros técnicos que inviabilizam uma apresentação ao conselho.

Atenciosamente,

Daniel Toffoli

GEUSO

..................................”

Mesmo com os devidos esclarecimentos, os conselheiros da APA Tamoios continuam a receber informações imprecisas e errôneas sobre o assunto.

Anexamos a manifestação de outros conselheiros da APA Tamoios a respeito do assunto.

Atenciosamente,

Anexos:

1. Original da carta de 22/04/2011 com manifestação de apoio de duas entidades conselheiras à solicitação e que reproduz a carta de 18/04/2011 solicitando o encontro.

2. Original da carta de 22/04/2011 com manifestação de apoio de quatro entidades conselheiras à solicitação e que reproduz a carta de 18/04/2011 solicitando o encontro..

Cópias para:

Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, governador Sérgio Cabral, Inea presidência


sábado, 28 de maio de 2011

Parque Estadual da Ilha Grande faz 40 anos

O Parque Estadual da Ilha Grande faz 40 anos em junho deste ano.
Como parceiro de sempre, o CODIG participa das comemorações através de seu Projeto Cinema no Parque. Confira a programação do evento em http://www.inea.rj.gov.br/news_peig/n5_convite.pdf.
Pela sua importância para a sociobiodiversidade da Ilha Grande, o evento é significativo para todo o Rio de Janeiro. Importante empreendimento público, o parque merece a atenção e o cuidado de todos, em especial das entidades a ele relacionados e que deveriam marcar presença no evento.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dez ex-ministros vão a presidenta Dilma contra mudanças no Código Florestal

Nota inicial: Antes da leitura da carta, cabe uma reflexão sobre os destinos da APA Tamoios, cujo zoneamento, há muito concluído, ainda não foi publicado. Por que?

Carta Aberta à Presidente da República e ao Congresso Nacional

Os signatários desta Carta Aberta, ao exercerem as funções de Ministros de Estado ou de Secretário Especial do Meio Ambiente, tiveram a oportunidade e a responsabilidade de promover, no âmbito do Governo Federal, e em prol das futuras gerações, medidas orientadas para a proteção do patrimônio ambiental do Brasil, e com destaque para suas florestas. Embora com recursos humanos e financeiros limitados, foram obtidos resultados expressivos graças ao apoio decisivo proporcionado pela sociedade, de todos os presidentes da Republica que se sucederam na condução do país e do Congresso Nacional. Mencione-se como exemplos: a Política Nacional do Meio Ambiente (1981), o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, a Lei de Gestão de Recursos Hídricos (97), Lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente (98), o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (2000), a Lei de Informações Ambientais (2003), a Lei de Gestão de Florestas Públicas (2006), a Lei da Mata Atlântica (2006), a Lei de Mudanças Climáticas (2009) e a Lei de Gestão de Resíduos Sólidos (2010).

Antes que o mundo despertasse para a importância das florestas, o Brasil foi pioneiro em estabelecer, por lei, a necessidade de sua conservação, mais adiante confirmada no texto da Constituição Federal e sucessivas regulamentações. Essas providências asseguraram a proteção e a prática do uso sustentável do capital natural brasileiro, a partir do Código Florestal de 1965. Marco fundante e inspiração nesse particular, o Código representa desde então a base institucional mais relevante para a proteção das florestas e demais formas de vegetação nativa brasileiras, da biodiversidade a elas associada, dos recursos hídricos que as protegem e dos serviços ambientais por elas prestados.

O processo de construção do aparato legal transcorreu com transparência e a decisiva participação da sociedade, em todas as suas instâncias. E nesse sentido, é importante destacar que o CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente já se constituia em excepcional fórum de decisão participativa, antecipando tendências que viriam a caracterizar a administração pública, no Brasil, e mais tarde em outros países. Graças a essa trajetória de responsabilidade ambiental, o Brasil adquiriu legitimidade para se tornar um dos participantes mais destacados nos foros internacionais sobre meio ambiente, além de hoje dispor de um patrimônio essencial para sua inserção competitiva no século XXI.

Para honrar e dar continuidade a essa trajetória de progresso, cabe agora aos líderes políticos desta nação dar o próximo passo. A fim de que o Código Florestal possa cumprir sua função de proteger os recursos naturais, é urgente instituir uma nova geração de políticas públicas. A política agrícola pode se beneficiar dos serviços oferecidos pelas florestas e alcançar patamares de qualidade, produtividade e competitividade ainda mais avançados.

Tal processo, no entanto, deve ser desenvolvido com responsabilidade, transparência e efetiva participação de todos os setores da sociedade, a fim de consolidar as conquistas obtidas. Foram muitos os êxitos e anos de trabalho de que se orgulham os brasileiros, e portanto tais progressos não devem estar expostos aos riscos de eventuais mudança abruptas, sem a necessária avaliação prévia e o conveniente debate. Por outro lado, não consideramos recomendável ou oportuno retirar do CONAMA quaisquer de suas competências regulatórias no momento em que o país é regido pelo principio da democracia participativa, consagrado na nossa Carta Magna.

Não vemos, portanto, na proposta de mudanças do Código Florestal aprovada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados em junho de 2010, nem nas versões posteriormente circuladas, coerência com nosso processo histórico, marcado por avanços na busca da consolidação do desenvolvimento sustentável. Ao contrário, se aprovada qualquer uma dessas versões, o país agirá na contramão de nossa história e em detrimento de nosso capital natural.

Não podemos, tampouco, ignorar o chamado que a comunidade científica brasileira dirigiu recentemente à Nação, assim como as sucessivas manifestações de empresários, representantes da agricultura familiar, da juventude e de tantos outros segmentos da sociedade. Foram suficientes as expectativas de enfraquecimento do Código Florestal para reavivar tendências preocupantes de retomada do desmatamento na Amazônia, conforme demonstram de forma inequívoca os dados recentemente divulgados pelo INPE.

Entendemos, Senhora Presidente e Senhores congressistas, que a história reservou ao nosso tempo e, sobretudo, àqueles que ocupam os mais importantes postos de liderança em nosso país, não só a preservação desse precioso legado de proteção ambiental, mas, sobretudo, a oportunidade de liderar um grande esforço coletivo para que o Brasil prossiga em seu caminho de nação que se desenvolve com justiça social e sustentabilidade ambiental.

O esforço global para enfrentar a crise climática precisa do ativo engajamento do Brasil. A decisão de assumir metas de redução da emissão dos gases de efeito estufa, anunciadas em Copenhagen, foi um desafio ousado e paradigmático que o Brasil aceitou. No próximo ano, sediaremos a Conferencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e o Brasil poderá continuar liderando pelo exemplo e inspirando os demais países a avançar com a urgência e a responsabilidade que a realidade nos impõe.

É por compreender a importância do papel na luta por um mundo melhor para todos e por carregar esta responsabilidade histórica que nos sentimos hoje na obrigação de dirigirmos a Vossa Excelência e ao Congresso Nacional nosso pedido de providências. Em conjunto com uma Política Nacional de Florestas, o Código deve ser atualizado para facilitar e viabilizar os necessários esforços de restauração e de uso das florestas, além que de sua conservação. É necessário apoiar a restauração, não dispensá-la. O Código pode e deve criar um arcabouço para os incentivos necessários para tanto. O próprio CONAMA poderia providenciar a oportunidade para que tais assuntos sejam incorporados com a devida participação dos estados, da sociedade civil e do mundo empresarial. De nossa parte, nos colocamos à disposição para contribuir a este processo e confiamos que sejam evitados quaisquer retrocessos nesta longa e desafiadora jornada.

Brasília, 23 de maio de 2011

Carlos Minc (2008-2010)

Marina Silva (2003-2008)

José Carlos Carvalho (2002-2003)

José Sarney Filho (1999-2002)

Gustavo Krause (1995-1999)

Henrique Brandão Cavalcanti (1994-1995)

Rubens Ricupero (1993-1994)

Fernando Coutinho Jorge (1992-1993)

José Goldemberg (1992)

Paulo Nogueira Neto (1973-1985)

domingo, 24 de abril de 2011

Conselheiros solicitam versão final do Plano de Manejo da APA Tamoios

Representantes das entidades da sociedade civil com assento no conselho da APA Tamoios encaminharam ao secretário do ambiente solicitação de divulgação da versão final do Plano de Manejo e outras informações relevantes. Eis o texto da carta entregue em 18/04/2011, na qual há também o pedido de um encontro para melhor discutir o assunto:

Prezado senhor,

Os signatários da presente solicitam com a máxima urgência, a divulgação da versão final do Plano de Manejo e do zoneamento da APA Tamoios (desenhos, mapas, imagens, pareceres elaborados pela área jurídica do Instituto Estadual do Ambiente e minuta do decreto a ser assinado pelo governador), consolidada de acordo com o exaustivo e longo trabalho que veio sendo realizado desde 2007 no âmbito do Conselho Gestor desta unidade de conservação.

Cabe-nos manifestar a nossa efetiva preocupação com o desfecho que o assunto pode vir a assumir, tendo em vista, pelo menos: i. a inexplicável demora na liberação dos resultados do trabalho, concluídos em novembro de 2010 (o zoneamento da Ilha Grande foi concluído em janeiro de 2010) e ii. a nossa experiência (negativa) com decisões de agentes públicos, que ajuntam interesses que transcendem a vontade coletiva, um deles aquele que originou o equivocado decreto estadual nº 41.921, publicado em junho de 2009, à margem inclusive da área ambiental do estado, atualmente ocupando a Corte Suprema no julgamento da inconstitucionalidade do gesto do mandatário estadual (ADIN 4370).

Solicitamos ainda um encontro com V.S. ocasião em que poderemos discorrer mais e melhor sobre as nossas fundadas preocupações”.

Logo a seguir, o gerente responsável pelas unidades de conservação de uso sustentável (GEUSO) do Inea encaminhou à lista de discussão do conselho da APA Tamoios a seguinte mensagem:

“Caros Conselheiros,

Em virtude de uma série de mensagens solicitando informações sobre o Plano de Manejo da APA Tamoios informo:

1) A última versão do plano entregue pela empresa contém alguns erros técnicos que estão sendo resolvidos;

2) Estes erros técnicos se referem a: a) ao shape (base de mapas) utilizado e que não bate com os shapes do INEA; b) ao memorial descritivo das zonas que está em formato não aceito pelo INEA; c) zoneamento da Ilha Grande está errado; e d) demais erros de texto.

3) Atualmente uma equipe do INEA (que não é a equipe que acompanhou o plano, pois se refere a dados de georreferenciamento) está acompanhando os trabalhos de correção dos erros de shape e memorial descritivo. O zoneamento da Ilha Grande vai ser corrigido para o zoneamento discutido e aprovado em Dois Rios. A geógrafa Lucia tem os dados originais e já estamos corrigindo esta parte. A equipe do INEA que acompanhou o plano analisou todo o documento escrito, apontando alguns erros que estão sendo corrigidos pela equipe contratada.

4) Após estas correções, a equipe do INEA que está acompanhando o plano irá novamente apresentar as correções e todo o plano revisado ao conselho para fechamento final. Desde o início dos trabalhos, a equipe do INEA sempre teve o cuidado de não aprovar nada que não fosse passado antes ao conselho. Assim, neste caso também não se furtará a esta responsabilidade.

5) A equipe do INEA que está acompanhando o plano desde o início também está aberta para quaisquer esclarecimentos.

……………..

A apresentação da versão final (ou distribuição conforme solicitado pelos conselheiros) somente poderá ser feita após estas correções, uma vez que a versão atual contém estes erros técnicos que inviabilizam uma apresentação ao conselho".