quinta-feira, 8 de março de 2012

Zoneamento da APA Tamoios deverá favorecer a privatização de praias na Ilha Grande (e, quem sabe, de Angra dos Reis)


Na contramão de um cansativo trabalho de mais de quatro anos do conselho gestor da APA Tamoios (Angra dos Reis, RJ), cujo zoneamento foi democraticamente discutido à exaustão com todos os segmentos interessados, a Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, por meio de seu subsecretário Luiz Firmino e do diretor do Instituto Estadual do Ambiente, André Ilha, apresentaram recentemente a última versão do governo do estado para a Ilha Grande. Oposta às diretrizes tacitamente acordadas com a sociedade desde 2007 – princípios do baixo impacto e da sustentabilidade socioambiental da atividade turística para todos, usos coletivos dos espaços públicos, privilegiando os moradores locais e a distribuição de renda – a versão oficial do zoneamento chega a todos com forte viés privatista, ensejando a exclusão dos moradores por meio de um processo econômico concentrador. Como se não bastassem as praias há muito privatizadas, olhadas com complacência pelas autoridades e o claro desrespeito às diretrizes legais municipais vigentes, os agentes públicos acrescentaram mais 9 (nove) praias da Ilha Grande ao rol das privatizadas, nas quais poderão ser construídos complexos hoteleiros. Com o discutível argumento de que aquelas nove áreas apresentavam um  grau de degradação ambiental que embasava e justificava a decisão do governo, esqueceram-se de que algumas dessas mesmas áreas tem sido objeto de ações judiciais relacionadas a crimes ambientais. Para saber mais a respeito dessa coincidência, basta consultar a mídia.
No longínquo junho de 2009, atropelando a plena atividade de elaboração do zoneamento da APA Tamoios, o governador Sérgio Cabral Filho publicou o decreto nº 41.921 liberando áreas para construção na Ilha Grande e continente inseridas nos limites da APA Tamoios. Denunciado a ato do governador como inconstitucional, encontra-se o mesmo no STF para julgamento, pela ADIN 4370. Na época especulou-se bastante quem seriam os beneficiários do decreto estadual; as notícias que correrem na mídia e nas redes sociais mencionavam amigos do governador.
As nove praias são: Araçatibinha, Ubatubinha, Tapera, Sítio Forte, Freguesia de Santana, Ponta da Raposinha, de Fora, Camiranga e Iguaçu.
Ao que tudo indica, a proposta do zoneamento agora apresentada não pretende revogar o decreto nº 41.921, mas aperfeiçoá-lo, trocando o papel que o embrulha.
Um dos efeitos colaterais desse desatino poderá ser o precedente aberto. Ou o butim mal dividido, cuja causa é o pueril critério de área degradada. Cabe a pergunta: como ficarão os de fora desse critério? Resposta: ações na justiça.
A inflexão na vida de um dos mais espetaculares e bem conservados espaços naturais do Brasil, considerada uma das sete maravilhas do Rio de Janeiro, corre o forte risco de se transformar em privilégio de poucos os quais, de quebra terão ainda um belo  e conservado parque (de graça) nos fundos de casa, só para eles. Escândalo como esse, que vem sendo construídos há muito, poderão ficar impunes, se nada for feito para que tudo não acabe em mais uma pizza.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Em São Paulo é diferente: caiçaras vão ganhar ilha em Ubatuba e São Sebastião


Notícia 1: Uma comunidade de 14 famílias caiçaras, todas de pescadores, originada há mais de três séculos e que vive sem energia elétrica, vai se tornar dona, na prática, de uma ilha na rica costa sul de São Sebastião, litoral norte de SP. Comunidade assumirá a Montão de Trigo, na costa sul de São Sebastião. Nela, vivem 52 pessoas, a maioria sem energia elétrica; medida abre caminho para outras ilhas caiçaras da região.
A medida abre caminho para que o mesmo seja feito em ilhas como a de Búzios (142 habitantes) e Vitória (50), no arquipélago de Ilhabela, as outras habitadas só por caiçaras no litoral norte.
Ver mais detalhes na nossa Biblioteca eletrônica e em:
Obs.: o vídeo merece ser visto

Notícia 2: Ubatuba planeja dar ilha a moradores. Idéia é conseguir a regularização fundiária da União e investir em melhoria para 60 famílias.
Ver mais detalhes na nossa Biblioteca eletrônica.

No Rio de Janeiro, situação semelhante perdura por mais de 30 anos e não parece merecer a atenção do governo. Nesse passo, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro vai para as calendas gregas.  

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Lançado o Boletim CODIG


Em sua forma preliminar, é lançado o nº 000 do Boletim CODIG. Sua finalidade é a de documentar parte das histórias que moldam a Ilha Grande e a conduzem para o desconhecido.
A Ilha Grande é um paraíso rico ao extremo em atributos naturais. Desde sua descoberta, no início do século XVI, pelos que por trezentos anos fizeram da inquisição uma forma de governar, ainda mantida pelos seus comissários, sofre as agruras por ser bela e cobiçada pela hegemonia das elites tradicionais que ainda mandam e desmandam sobre uma sociedade inerte e submissa, embora carnavalesca.   
Apesar das lutas travadas pela sociedade para que sua preservação se dê em ambiente de igualdade, o horizonte da Ilha Grande se mostra nublado. A efetiva implantação de suas unidades de conservação, a chegada do pré-sal, com vinte trilhões de dólares arriscados a mudar de dono, com a ajuda de gente local, a privatização de seus espaços naturais, a corrupção entranhada no Poder Público que não é público, o enfrentamento sempre adiado dos seus problemas estruturais, tudo isso se faz ausente das agendas governamentais.
O Boletim ainda não está em sua forma final, a ser definida pelos seus leitores e associados do CODIG. Mas sua linha editorial aponta para temas cuja abordagem demandará espírito crítico e independência de opinião, preços caros a se pagar.
Para leitura do nº 000 (o do colecionador), visite a biblioteca do CODIG e baixe o arquivo.
Escreva para nós, envie artigos, críticas e sugestões. Ajude-nos a fortalecer a cidadania.
A imagem da capa do Le Monde Diplomatique, cujo nº 38 pode ser lido em www.diplomatique.org.br, foi-nos cedida pela sua editoria. O autor da ilustração é Negreiros.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estrada-parque (da Colônia) Vila Abraão x Dois Rios: conselheiros fazem questionamentos


Durante a XIª Reunião Extraordinária do PEIG, os conselheiros representantes da Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande, Associação Curupira de Guias e Condutores de Visitantes da Ilha Grande, CODIG, Grupo Ecológico de Vôo da Ilha Grande, Liga Cultural Afro-brasileira e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro encaminharam à titular da GEUSO/DIBAP/INEA um documento contendo indagações sobre a chamada revitalização da Estrada Vila Abraão x Dois Rios que será feita com recursos do Banco Mundial da ordem de R$ 22 milhões. Por se tratar de assunto que diz respeito diretamente à prefeitura de Angra dos Reis, TurisAngra e Universidade do Estado do Rio de Janeiro, os conselheiros estenderam sua solicitação a essas instituições para que, assim como a gerência do INEA, respondam formalmente.
Os anexos mencionados ao final do documento podem ser encontrados na biblioteca eletrônica do CODIG no presente blog. Exceção é feita a mensagem do CODIG que se trata apenas do encaminhamento dos mencionados documentos aos conselheiros.
Com um parque carente de recursos e com prioridades bem específicas e urgentes, esperamos que o valor a ser aplicado seja bem explicado, ainda mais por se tratar de recursos estrangeiros, cujo pagamento é sempre cercado de grandes sacrifícios para o povo brasileiro.

Conselho Consultivo do Parque Estadual da Ilha Grande - CONPEIG
Reunião Extraordinária de 02 de fevereiro de 2012

Empreendimento Estrada-parque da Colônia

Solicitação de informações que fazem os conselheiros à Gerência de Unidades de Conservação de Proteção Integral da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas – GEPRO/DIBAP/INEA, copiando os representantes da UERJ, prefeitura de Angra dos Reis e TurisAngra no CONPEIG


Em 12/12/2011, durante a XXVª Reunião Ordinária do CONPEIG, foi aprovada Moção para criação de um Grupo de Trabalho (GT) para elaboração conjunta e participativa das diretrizes para condução do Empreendimento acima referido. Segundo o texto da Moção, a participação dos conselheiros não se limitaria apenas ao acompanhamento dos trabalhos.

Tendo em vista a relevância do assunto, e considerando que o direito democrático do cidadão ao acesso pleno de informações de natureza pública, requeremos ao destinatário da presente uma resposta formal às indagações que se seguem, já exaustivamente abordadas em outras ocasiões. Aos representantes da UERJ, prefeitura de Angra dos Reis e TurisAngra no CONPEIG solicitamos que se manifestem, de igual forma, onde for o caso e de acordo com que entenderem ser aplicável à sua instituição.

Estas são as perguntas:

1.     A criação do GT como proposto foi acatada? Se não, porque?
2.     As propostas apresentadas sobre como conduzir os trabalhos será levada em conta no âmbito do Empreendimento, ou os serviços pretendidos pelo INEA se restringem meramente às obras civis de recuperação da estrada, sem considerar sua influência na operação do parque ou nas atividades da prefeitura e da UERJ?
3.     Qual é a origem dos recursos financeiros para o Empreendimento e como o CONPEIG poderá acompanhar sua utilização?
4.     Quais são os custos envolvidos e como serão repartidos? Haverá um Plano de Custos a ser implantado e que possa ser acompanhado pelo CONPEIG?
5.     Que pressupostos estão sendo considerados e qual o verdadeiro escopo do Projeto/Empreendimento? A que finalidade específica (ou demandas) ele irá atender? Como está sendo pensado o Empreendimento no que se refere às questões além das simples obras de engenharia? Há algum plano sobre como conduzir as atividades subjacentes à estrada? Como será ela – e o seu entorno – utilizada (explorada)? via concessão, terceirização ou privatização? O Empreendimento tem um Projeto consistente de implantação, operação e manutenção, com atribuições e responsabilidades específicas? Onde entram a UERJ e/ou prefeitura de Angra dos Reis nesse ponto?
6.     Qual o Plano de Contratação a ser estabelecido? Seguirão as determinações da lei nº 8.666/93 e outros instrumentos legais que disciplinam a licitação e contratos da Administração Pública?
7.     Qual o Plano de Trabalho para o Empreendimento, inclusive sob a ótica gerencial? Quem será o responsável pela condução e gerenciamento do Empreendimento? A ele será alocado um gerente do INEA com dedicação integral?
8.     No Empreendimento existe algum interveniente?
9.     Quais são os prazos e datas envolvidas e como se encaixam no Plano de Ação do PEIG?
10. A empresa apresentada foi contratada em que bases e com que respaldo legal? Foi feita alguma licitação? Existe algum processo licitatório/TdR ao qual se dará publicidade? 
11. A UERJ, prefeitura de Angra e a TurisAngra vem sendo chamada a opinar sobre os pontos que lhe dizem respeito, na medida em que os impactos causados por uma intervenção desse porte poderá demandar recursos materiais, humanos e financeiros por parte dessas instituições? Elas estão de acordo com esta iniciativa do INEA?
12. Como serão tratados os imóveis públicos sob administração da UERJ ou do PEIG no Empreendimento?
13. Haverá interação lógica entre o presente Projeto e o de Capacidade de Carga e Sustentabilidade da Ilha Grande (TdR20110725162556112) em vias de ser contratado pelo INEA? Um levará em conta o outro? Ou serão conduzidos de forma independente?
14. Que outras instituições serão convidadas a efetivamente participar do Empreendimento (DER, por exemplo)?
15. Que aspectos legais estão sendo levados em conta pelo Empreendimento? a Lei Municipal nº 2.088, de 23/01/2009 que trata das Diretrizes Territoriais da Ilha Grande é uma delas? O Empreendimento será submetido a licenciamentos de engenharia e ambiental?

Anexos:  mensagem CODIG, de 25/12/2011, Moção para criação do GT, Decreto Estadual RJ nº 40979, de 15 de outubro de 2007 que dispõe sobre Estrada-parque, Decreto Estadual SP nº 53146, de 20 de junho de 2008 que dispõe sobre Estrada-parque; Resolução Conjunta SMA/ST-004 DE 27 DE MARÇO DE 2010; Estudo Conceitual para Infraestrutura, Uso Público, Sinalização e Manejo de Ecossistemas Do Parque Estadual da Ilha Grande: 1 – Zona de Uso Extensivo, Estrada da Colônia, desenvolvido por Paulo Bidegain da Silveira Primo; Tese de Doutorado de Afranio José Soares Soriano com o título Estrada-parque: proposta para uma definição, UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Campus de Rio Claro (capa + 2 folhas)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rumo às trevas?


"- Eu não acho conveniente!" Foi com estas quatro palavras que a Sra. Patrícia Figueiredo, titular da GEUSO/DIBAP/INEA se desvencilhou do pedido feito para que um grupo de conselheiros exercesse o direito de filmar a Reunião (pública) Extraordinária do Conselho Gestor do PEIG, de cuja pauta constavam dois importantes assuntos: o ordenamento da área de amortecimento do PEIG e o projeto de recuperação da estrada Vila Abraão x Dois Rios.
Cumpre repudiar o lamentável feito, em um espaço público usado como canal de participação formal da sociedade, no qual são mediadas as relações entre governo e sociedade civil, possibilitando o exercício da cidadania e da democracia, segundo o Guia do Conselheiro (IBAMA/NEA/RJ - 2007).
Mais lamentável ainda é que a inexplicável censura atropela a todos exatamente no dia (2 de fevereiro) em que a ampliação do PEIG deveria estar comemorando seus cinco anos de existência. É assim que teremos que lidar com nossas divergências?
Afinal, estamos andando de marcha-a-ré, rumo às trevas? 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Contratação dos estudos de capacidade de carga e sustentabilidade da Ilha Grande


A mensagem a seguir, devidamente assinada, foi encaminhada ao chefe do Conselho Gestor do PEIG:

Ilha Grande, 25 de janeiro de 2012

Conselho Consultivo do Parque Estadual da Ilha Grande - CONPEIG

Assunto: Contratação da elaboração do sistema de sustentabilidade da Ilha Grande e autonomia de custeio do conjunto de UC estaduais que a compõem (Termo de Referência - TdR nº 20110725162556112) 


Como resultado das discussões havidas durante a XXVIª Reunião Ordinária do CONPEIG, de 17/01/2012 sobre o processo licitatório conduzido pelo INEA para os serviços acima descritos, foi acatada a proposta de criação de um grupo de trabalho expedito com o objetivo de conhecer mais detalhes sobre a licitação e seu correspondente desfecho. Uma das razões que fundamentou a proposta aceita foi a apresentação feita pelo conselheiro representante do CODIG que, como membro admitido na Comitê de Avaliação das propostas, que demonstrou preocupação e temor com a forma pela qual a escolha tinha sido feita.

Nesse sentido, reuniram-se na presente data os conselheiros representantes de suas respectivas entidades/instituições que subscrevem o presente documento no qual expõem suas impressões e apreensões a respeito das decisões que envolvem a contratação em tela.

Por oportuno, cabe destacar que um Conselho é o espaço público usado como canal de participação formal da sociedade, sendo o instrumento mediador nas relações democráticas entre o governo e a sociedade civil. E que é neste espaço que os conselheiros se colocam, na certeza de que o assunto será conduzido a bom termo, com sabedoria e espírito público, tendo em mente que a governabilidade não é a ausência de críticas e de protestos, mormente em ambiente de convivência pacífica e respeitosa entre distintos grupos sociais.

A desativação do complexo prisional da Ilha Grande em 1994, realizado sem um conveniente planejamento para o chamado “dia seguinte”, ensejou um dramático e progressivo aumento no processo de visitação a uma singular e paradisíaca ilha. Desde então,  a combinação da atividade turística desordenada e não regulamentada com um lugar que não possuía condições para enfrentar uma demanda reprimida de tamanha envergadura, colocou a Ilha Grande na direção de uma das mais deploráveis alternativas já apontadas em estudos anteriores: o laissez-faire, que a levaria à ruína no curto prazo. Uma solução se fazia urgente.

Em 20 de janeiro de 2002 foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental entre as três instancias de governo, a saber: Ministério Público Federal e Estadual (promotores da ação), órgãos ambientais federais (MMA e IBAMA) e estaduais (Semads, Feema e IEF), município de Angra dos Reis e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 O principal objeto do que passou a se chamar o TAC da Ilha Grande foi o de resolver os problemas de saneamento acima mencionados. Igualmente importante, a questão da visitação descontrolada mereceu atenção particular, como se depreende no seguinte trecho do instrumento jurídico:
“.........................
CLÁUSULA TERCEIRA - DAS DEMAIS OBRIGAÇÕES

3.1. A FEEMA, o IEF e o Município comprometem-se, no prazo de até 90 (noventa) dias, a partir da publicação deste Termo, a desenvolver e apresentar ao Comitê de que trata a Cláusula Quarta, Plano Piloto para equacionar as seguintes  questões:

a) Ordenação do acesso e definição de capacidade de suporte a visitantes, na Ilha Grande;
......................................”

Não é exagero afirmar que os estudos de capacidade de carga da Ilha Grande inserem-se no campo da sua administração estratégica, tanto quanto o seu Planejamento Estratégico, os Planos de Manejo do PEIG e da APA Tamoios e os seus Conselhos Gestores. É sabido que serão os estudos que se pretende contratar que irão determinar, com ações no presente, o melhor futuro para a Ilha Grande.

Em 30 de janeiro de 2007, cinco anos após a assinatura do TAC da Ilha Grande, a Secretaria Estadual do Ambiente fez publicar a Resolução nº 007 instituindo grupo de trabalho para a criação do Plano de Gestão Sustentável da Ilha Grande. O prazo para a apresentação do relatório foi de quatro meses.

Somente em 11 de novembro de 2010 a assessora da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas do INEA apresentou, durante reunião do Conselho Gestor do PEIG, a proposta final para o Termo de Referência (TdR) a ser levado a efeito na contratação dos serviços.

Em 25 de outubro de 2011 foi publicada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) a Carta Convite nº 708/2011.

Em 18 de dezembro de 2011 o CODIG encaminhou ao chefe do PEIG o Relatório de Avaliação do CODIG das propostas recebidas, já que tinha sido incorporado, na fase final da licitação, como membro da Comissão de Avaliação. Por este Relatório, as duas propostas avaliadas foram desqualificadas.

Em 09 de janeiro de 2012 alguns membros do CONPEIG receberam mensagem do Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas (DIBAP) do INEA comunicando a escolha de empresa vencedora da licitação.

Considerando que:

  1. O atual cenário político e econômico da região da Baía da Ilha Grande mostra-se ameaçador ao seu ecossistema, um dos mais preservados do estado, o que dá à presente questão importância capital para a Ilha Grande;     
  2. A importância dos serviços a serem contratados deverão ser conduzidos pela via da prevenção e não da remediação, de forma a aproximar do zero qualquer risco de insucesso da empreitada;
  3. Faz-se imprescindível que este trabalho seja desenvolvido em conjunto com o maior numero possível de atores que se comprometam com o projeto e seus desdobramentos;
  4. Sob o ponto de vista da qualidade técnica e gerencial, o TdR nº 20110725162556112 reúne o que de melhor se pode exigir de um estudo de capacidade de carga em unidades de conservação;
  5. Requer cautela e atenção o conteúdo do Relatório de Avaliação do CODIG, que declara estrita obediência aos “Critérios de Avaliação de Proposta Técnico e Financeira”, fornecido pelo INEA e que reitera que nenhuma das propostas apresentou evidências objetivas que pudessem atender aos Critérios de Avaliação de Proposta Técnico e Financeira, em particular no que concerne à sua principal exigência:

“.............................
1. DISPOSIÇÕES GERAIS

1.1. Para fins de atendimento à avaliação das propostas técnicas e financeiras será OBRIGATÓRIO o que se segue:
A experiência da empresa/entidade será comprovada através da apresentação de atestados de capacidade técnica emitido por pessoa jurídica de direito público ou privado, que comprove a EXPERIÊNCIA EM TRABALHOS RELACIONADOS A ORDENAMENTO TURÍSTICO E SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO (UC), ....
.................................................."
  1. A empresa vencedora foi considerada aprovada com a nota média 76 (74 e 78), um pouco acima do mínimo estabelecido, indicando que “passou raspando” e que, se a avaliação do CODIG  tivesse sido considerada, ela teria sido desclassificada;
  2. É licita a preocupação com a arriscada escolha de um coordenador técnico – cargo mais alto na hierarquia do projeto - com apenas e tão somente três anos de experiência em “elaboração, gestão e coordenação de projetos relacionados a ordenamento turístico e sustentabilidade financeira de unidade de conservação (UC) – ITEM 3, subitem 3.1.b” dos Critérios de Avaliação de Proposta Técnico e Financeira;
  3. Que a imposição da Carta-convite para que o teto máximo disponível para contratação de R$ 663.679,28 (seiscentos e sessenta e três mil seiscentos e setenta e nove reais e vinte e oito centavos) introduziu um condicionante indesejável à formulação da proposta – e do projeto, por consequência -  obrigando-a a ter um “tamanho” que se ajustasse ao valor estabelecido, com o comprometimento do atendimento ao escopo exigido, sob a ótica da qualidade e, ainda, tornando pouco efetivo o julgamento da proposta com base nos preços oferecidos;
  4. De forma não usual apenas 2 (duas) empresas em um total de 16 (dezesseis) apresentaram propostas, tendo sido considerada (pelo INEA) apenas uma como apta, o que mereceria pelo menos uma justa e detalhada reflexão sobre o cancelamento da concorrência;
  5. Apesar de sugerido, nada foi feito no sentido de se buscar com os demais poderes o seu envolvimento e comprometimento com o projeto, vital para o seu sucesso, em ambiente de variados interesses, para maximizar as chances de sucesso do trabalho;
  6. A linha de tempo anteriormente resumida indica que a celeridade com que o tema deveria ter sido conduzido não condiz com a importância do mesmo, isto é, daqui a alguns poucos dias a Resolução SEA nº 007 completará cinco anos sem ter sua eficácia produzida, obrigando a que a demora da sua implementação não pode autorizar uma contratação que apresenta riscos, tudo em nome da “pressa e da urgência”.

Os conselheiros a seguir nominados se manifestam de seguinte forma e solicitam que:

  1. Não reconhecem suficiente capacitação técnica da empresa considerada vencedora no trabalho que se pretende contratar e reiteram preocupação com o seu desempenho, no caso de ser escolhida mesmo assim, face à importância do trabalho;
  2. O INEA dê conhecimento de todo o andamento do processo licitatório aos conselheiros do PEIG e da APA Tamoios, e a eles exponha a decisão que pretende tomar;
  3. Que o INEA convoque o Município para participar e juntos atenderam ao acordado no TAC acima descrito;
  4. O INEA dê imediato início a um processo de articulação com todos os atores sociais no sentido de atender ao maior dos pressupostos do projeto: o do máximo e completo comprometimento de todos com o mesmo, pela pactuação de um protocolo formal de cooperação para ser utilizado antes, durante e mesmo após a execução do contrato, não se limitando a: prefeitura de Angra dos Reis, TurisAngra, subprefeitura da Ilha Grande, universidades públicas que participam dos conselhos da APA Tamoios e do PEIG, segmentos do turismo, pesca, transporte náutico, comércio, meios de hospedagem, associações de moradores, Conventions Bureau, Câmara Municipal do Município de Angra dos Reis   ;
  5. O INEA dê publicidade ao teor do contrato que pretende assinar com a empresa, inclusive dos demais instrumentos a ele relacionados (cronogramas, procedimentos de coordenação e de fiscalização do andamento do contrato, requisitos técnicos formais  a serem obedecidos, dentre outros);
  6. O INEA disponibilize de seus quadros, desde já, um técnico comprovadamente experiente no assunto para gerenciar o contrato em todas as suas fases.



Assinam o presente, em ordem alfabética:


AMHIG (Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande)

CODIG 

CURUPIRA (Associação Curupira de Guias e Condutores de Visitantes da Ilha Grande)

Subprefeitura da Ilha Grande

TurisAngra

sábado, 21 de janeiro de 2012

Reuniões dos conselhos gestores. Onde iremos parar?


Uma dos mais significativos avanços nas relações entre o poder público e a cidadania foi a introdução dos conselhos pela CF 88. Em praticamente todas as áreas públicas, os conselhos desempenham importante papel no controle social. Sejam deliberativos ou consultivos, os conselhos fazem parte do desafio que se coloca para o efetivo empoderamento  acontecer nas áreas até então mantidas longe dos olhos do cidadão.
Segundo o portal da transparência do governo federal
(http://www.portaltransparencia.gov.br/controleSocial/ConselhosMunicipaiseControleSocial.asp), “o controle social pode ser feito individualmente, por qualquer cidadão, ou por um grupo de pessoas. Os conselhos gestores de políticas públicas são canais efetivos de participação, que permitem estabelecer uma sociedade na qual a cidadania deixe de ser apenas um direito, mas uma realidade. A importância dos conselhos está no seu papel de fortalecimento da participação democrática da população na formulação e implementação de políticas públicas. Os conselhos são espaços públicos de composição plural e paritária entre Estado e sociedade civil, de natureza deliberativa e consultiva, cuja função é formular e controlar a execução das políticas públicas setoriais. Os conselhos são o principal canal de participação popular encontrada nas três instâncias de governo (federal, estadual e municipal)”.
Entretanto, faz-se mister a luta pelo direito de participar de um conselho. A resistência dos entres públicos tem sido notória. A ameaça de perda de poder, com a pueril alegação de que tudo se resume a uma disputa por espaço político, tem feito muitos agentes públicos se esmerarem em querer tirar o valor da participação da sociedade na gestão da coisa pública. Tudo tem sido motivo para manter o distinto público bem longe dos espaços decisórios para que, dessa forma, o reinar absoluto possa prosseguir, como sempre, e sem sobressaltos.
No caso dos conselhos gestores das unidades de conservação do Rio de Janeiro, os espaços de participação social tem sofrido notável pressão para apequenarem-se, em todos os sentidos. Uma das desculpas que os conselheiros mais tem ouvido é a de que a chefia da UC tem muito que fazer além de administrar o funcionamento dos conselhos, ainda mais em um contexto de poucos “recursos humanos”. E mais, se cada uma das UC estaduais tiver que fazer reuniões com os seus conselhos, “haja reunião!!!!”
O CODIG vem lutando para que os conselhos gestores se incorporem de fato e de direito aos organogramas das UC estaduais de Angra dos Reis/ Ilha Grande como parte de um modelo efetivo de gestão profissionalizada, com todas as prerrogativas a que temos direito. A materialização da proposta do CODIG se daria pela implementação de uma estrutura gerencial no âmbito da UC, via criação de uma Secretaria Executiva, na qual seria alocado um ou mais profissionais capacitados para gerenciar as atividades do conselho, liberando assim o chefe da UC para atividades mais operacionais e mais voltadas para as atividades fins da UC. Tudo com seus custos bem definidos.
Infelizmente a resistência à proposta tem sido grande, o que prova o quadro abaixo, reproduzido da seguinte fonte: http://geproinearj.blogspot.com/p/conselhos-consultivos.html
Na tabela, que não contempla todas as UC do Rio de Janeiro, as únicas que fizeram reuniões mensais durante todo o ano de 2011 foram a APA Tamoios e o Parque Estadual da Ilha Grande (PEIG), graças ao desmedido esforço dos seus heróicos conselheiros. As demais, limitaram-se a reuniões esparsas. Para o ano de 2012 os conselheiros da APA Tamoios foram instados a aceitar, com muito pesar, a proposta da chefia da APA Tamoios que alegou com grande ênfase que não tinha como manter a freqüência mensal de reuniões, por absoluta indisponibilidade de pessoal e estrutura para tanto.
Segundo o quadro, dois exemplos:
1. O Parque Estadual da Pedra Branca, um dos mais complicados do Rio de Janeiro, só teve uma única reunião no ano, em março de 2011 e
2. O Parque Estadual dos Três Picos em vias de ganhar uma subsede em Teresópolis de R$ 10 milhões (http://www.inea.rj.gov.br/noticias/noticia_dinamica1.asp?id_noticia=1636), só teve uma única reunião, em abril de 2011, dando mostras de que o assunto não foi discutido pelo conselho.
    


               Mês     
Jan
Fev
Mar
Abr
Maio
Jun
Julho
Agosto
Set
Out
Nov
Dez
                        UC
Área de Proteção Ambiental da Serra da Sapiatiba












Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima

19


28


20


19

Área de Proteção Ambiental de Mangaratiba



7








Área de Proteção Ambiental de Maricá












Área de Proteção Ambiental de Massambaba



11

6

15

10

12
Área de Proteção Ambiental de Tamoios

17
17
28
19
16
21
18
15
20
17
15
Área de Proteção Ambiental do Gericinó Mendanha












Área de Proteção Ambiental do Pau Brasil
31

29

25

28

29

28

Área de Proteção Ambiental do Rio Guandu












Área de Proteção Ambiental do Rio Macacu



4

6

1

14

5
14h PMCM
14h PMCM
14h PMCM
14h PMCM
14h PMCM
Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba


30


29


28



Parque Estadual Cunhambebe



30








Parque Estadual da Ilha Grande

01 e 15
16
5
19
7
5
2
6
4
1
6
Parque Estadual da Pedra Branca


16









Parque Estadual da Serra da Concórdia


31




4

17


Parque Estadual da Serra da Tiririca

16


12


12


5

Parque Estadual do Desengano












Parque Estadual dos Três Picos



7








Reserva Biológica de Araras



Posse do C.C. a ser agendada








Reserva Biológica de Guaratiba